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luteriando · Jodok / coisinhas para fazer
postado em 19/05/10

Jodok

De guri, um dos meus sonhos que acalentei por muitos anos foi tocar bandolim. Não pela música, mas pelo instrumento. Muito caro, nunca entendi porque custava o mesmo que um violão. Mais tarde uma dúvida veio se encostar – ou se enliar – nessa idéia de produzir sons: bandolim ou acordeão? Os dois? Hum? Acordeão (gaita) muito mais caro demais da conta…
Hum-zeei muito e percebi que hoje, ao decidir construir meu próprio bandolim, as questões são outras.
O início: qual bandolim?
cliquei cliquei Alguns estilos famosos:
o bandolim Alemão, o Napolitano, o Português, o Gibson A, o Gibson F e, de formato um pouco diferente, o Brasileiro.
Os mais antigos e clássicos, com fundo fortemente abaulado; os modernos, de fundo plano.
Com certeza sou muito chato e opto sempre pelo mais complexo. Fui gostar logo do design do bandolim brasileiro, mas queria que tivesse fundo abaulado. Semi-abaulado, para me fazer entender melhor: abaulado, ma non troppo. Não tanto como o clássico napolitano, por exemplo.
Quando estava tudo pesquisado sobre afinação, trastes, cálculo das medidas, fiquei ainda mais chato.
Como fazer para torná-lo mais grave e sonoro? Simples. Basta aumentar o corpo – caixa de ressonância – e o braço. Cordas mais longas → som mais grave. Claro, e refazer todo o projeto, desenhos e cálculos.
Voltei a pesquisar e encontrei outro ramo da grande família Alaúde-Bandolim, que era tal-qual o desejado…
cliqueicliquei ... as bandolas (na Europa: Bandola Tenor, nos USA: Bandolim de Oitava) e, da correspondente vertente grega, o Bouzouki. Por fim, a derivada irlandesa da vertente grega, o Bouzouki Irlandês...
Estes instrumentos são afinadas uma oitava abaixo do Bandolim e tem uns 40% a mais de braço.


Claro: Inevitavelmente, optei pelo Bouzouki Irlandês. Mas seria com fundo semi-abaulado. Pronto, todas as dúvidas restantes se reduziram a detalhes técnicos.
Catei um diagrama da internet mas, como está copyrighted, as medidas estão ilegíveis. Senti-me livre para criar a partir dele o meu próprio fundo semi-abaulado.

cliquei cliquei
Quase legal. É mais ou menos isto.
Mais uma simples redução unidimensional de escala para facilitar os cálculos posteriores.



O próximo passo é seguir em frente.

comentário [1]

lonjura · Jodok / Jodok
postado em 06/03/08

Jodok

cliquei isso em algum lugar do Malacara



















Não alcanço a lonjura dos meus pensamentos.
Lá vão eles, já passando o alto da coxilha. Uma manada lenta de pensamentos.
Depois se desfazem como estilhaços de viração ou tufos de algodão-doce de feira.
A grande nuvem os absorve e continuo aqui, olhando metade do mundo.

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Lorelei III · Jodok / gaivotas
postado em 03/03/08

Jodok

imagem fisgada em: http://versosdecrianca.zip.net/arch2007-08-05_2007-08-11.htmlO som das ondas nas rochas
é o canto da Lorelei
Nós fugimos mundo a dentro
mas é o porto que trai
a proa altiva, as velas balofas
os sete mares a conquistar
Pois se a vazante nos leva
seu canto – um dia – nos faz retornar

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ciclos · Jodok / Jodok
postado em 16/02/08

Jodok

Umas folhas douradas pelo chão
como se fosse outono
– o vento não consegue
varrê-las.
São minhas eternas folhas douradas
anunciando
mais uma primavera.

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Belle de Jour · Jodok / 2 ded di prosa
postado em 12/12/07

Jodok

Foi no Cine Bristol que vi, pela última vez, a Belle de Jour. E, minutos antes da sessão, na ante-sala, penumbra, subitamente avistei Catherine. Ou não era Catherine? Assustei-me com a dúvida. Porque avistei-a sem reconhecer, reconheci-a sem reconhecer. Seus olhos não eram os de Catherine, os cabelos em franja, também não. O resto era, especialmente o sorriso. Estarrecido, desnorteado, a observei, aguardando que Catherine me ajudasse a reconhecê-la. Em vão.

Catherine era minha amiga de longa data e não haveria como confundí-la com outra pessoa, nem se houvesse alguma irmã gêmea. Nem assim. Mesmo quando Catherine foi para uma agência maior, com mais compromisos e menos tempo livre, continuamos nos escrevendo todos os dias. E Catherine lutava tenazmente para incluir espaços em sua agenda lotada, para que pudéssemos manter as nossas conversas, a nossa proximidade. Porque sempre tínhamos conversado muito sobre as pequenas mazelas e os grandes risos da vida.

Mas Catherine não me olhava, não me via. Como poderia reconhecê-la dessa maneira? Por fim, tive medo de reconhecê-la como não sendo Catherine ou não sendo aquela que eu conhecia, pensava em conhecer.

É verdade, que nossos encontros nunca aconteceram. Percalços, compromissos de última hora, horários desencontrados… Aos poucos estabeleceu-se uma estranha e angustiante rotina: “Vamos almoçar juntos”, me ligava Catherine, e pouco depois “acho que não vai dar”. Os encontros com Catherine invariavelmente se tornavam desencontros. Inicialmente, tentei entender, mas quando os desencontros se tornaram mais e mais descabidos, passei a temer profundamente que Catherine me ligasse. Ou que não me ligasse.

Instintivamente temi reconhecer Catherine, temi que ela subitamente cancelasse aquele instante, aquela sessão Buñuel, a Belle de Jour. Naquele momento eu ainda não sabia que já havia duas Catherines, eu deveria ter percebido há tempo. Há quanto tempo? Talvez… provavelmente desde sempre. Eu deveria saber que a Catherine dos Encontros não era a mesma Catherine que os desmarcava em seguida – a dos Desencontros, que sentia prazer na a minha vã luta em compreender a presença ausente da outra. Talvez até desconfiasse, mas se isso tivesse ficado claro antes, teria me ajudado a superar a perplexidade, a angústia, a dúvida, ali no Bristol.

Como saber qual das Catherines estava ali, sem que seu olhar cruzasse com o meu? Como distinguí-las, se eu apenas conhecia uma delas? Pensei se acaso eu também – em função daqueles desencontros todos – não teria me transformado em mais de um? Qual de mim estaria lá naquele momento?

Quando Catherine se tornou mais de uma, acho que a minha Catherine, aquela que eu conhecia e reconheceria em qualquer lugar, não deu muita importância. Deve ter sido por isso que a Catherine dos Desencontros tomou a frente, assumiu o controle do jogo. Com o tempo, a outra Catherine apenas me ligava para que as desculpas dessa pudessem tomar forma e volume.

Hoje penso que a Catherine dos Desencontros tenha se separado da outra no mesmo momento em que as minhas mazelas se tornaram mais frequentes que meus risos. Mas eu não tinha mais como sorrir, espremido dentro daquele jogo que apenas as duas Catherines conheciam.

Quando começou o filme, eu já não via mais Catherine – qual delas quer que tenha sido – e também foi a última vez que vi a Belle de Jour.

Parece que, após aquele dia, no Bristol, ocorreu mais uma, a derradeira, transformação com Catherine, com as Catherines – e dessa vez eu pude pressentir o que estava por vir. Por algum motivo, a Catherine dos Desencontros, que faz tempo tinha assumido o destino das duas, voltou a se unir com a Catherine original. Entretanto, a simbiose não refez a minha Catherine e nem poderia fazê-lo. Sim, voltou a existir apenas uma Catherine. Acho que agora responde apenas pelo nome Desencontros, mas é difícil saber com certeza. Pois, tecnicamente falando, ela nem responde mais.

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