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hoje não fui na feira · Jodok / 2 ded di prosa
postado em 10/11/07 04:03 PM

Jodok

Nada de novo nisso, uma vez que faz anos que não vou na feira do livro. Mas hoje, excepcionalmente, no sábado-de-véspera-de-fim-de-feira, quase fui.

Pra quem não sabe: a feira é onde todo mundo vai nessa época do ano. Todo mundo. Quem gosta de ler e quem não gosta, quem escreve e também quem não, quem é de Porto Alegre e quem não é, quem quer tomar um chopp ou apenas vender seu pastelzinho, quem se acha e também quem nem tanto… Só eu é que não vou. Com certeza que me enquadro em várias das categorias de pessoas que deveriam ir lá, mas não vou. E hoje quase fui.

A culpa toda foi dos Correios. Ou, talvez, do pacote de remédios que precisei enviar para abroad. Não importa. E eis que desço no Mercado e me vou ao Correio Central, ali na Siqueira Campos, flanqueado pela dita feira. Atrasado como sói acontecer, dez minutos para fechar.

Fechado.

Fixado à jalousie (que é como hoje vou designar erroneamente aquela porta metálica de correr vertical) dos Correios, quase à altura dos olhos de uma pessoa de estatura avantajada, um recado: (resumindo) hoje, neca-pau; dirija-se preferencialmente à agência dentro da Globo ou então à do shopping da Rua da Praia.

Na Globo já estive, 3 minutos atrás, para comprar a fita durex que deveria selar o pacote. Voilà. Então, ao shopping – um pouco mais próximo. Sete minutos. Não tenho escolha além de atravessar a feira.

Mesmo assim, não atravesso. Vou costeando-a “por detrás” e sigo pela Andradas, a passo acelerado. Na ida. Na volta venho dolente, o pacote já postado.

A dolência (quase malemolência, como diria o Gupta) me permite observar melhor os arredores. Vejo: à minha esquerda, as tendas da feira, me dando as costas educadamente; à direita, a concorrência direta – uma loja bem-sucedida chamada Bom & Barato (fica a cargo do leitor, como exercício prático, imaginar o teor do comentário que se instalou na minha mente nesse momento).

Bom, e para que não pensem somente coisas ruins a meu respeito, ressalto que contive o forte impulso de adernar à direita. Não seria justo.

Mas confesso que fiquei triste com uma coisa: a feira do livro é uma farsa, pelo menos no sábado-de-véspera-de-fim-de-feira, às 12h30. Até mesmo as moscas estavam escassas. E eu, achando que estaria desdenhando multidões…

Falando em multidões, dirigi-me ao segundo point de badalação ali do centro. Claro, o Mercado Público. Fui direto àquela banca que todo mundo (sim, as multidões) conhece por um número próximo do 40 e pela carga calórica que ali se consome sob a forma de nata, especialmente. Ainda não era a hora da nata e mandei ver outra opção junkie-calórica. E um café espresso grande, que derramei lenta e saborosamente sobre os meus pensamentos desajustados. Aos poucos, fui retornando ao meu estado niilista mais normalzinho e me senti melhor.

Aproveitei minha ida ao Mercado para comprar um pacotão de granola daqueles de quilo. Pensei: se os cafézes petrificam o trato digestivo e, especialmente, o emaranhado sistema tripóideo (“das tripa”), algo precisa ser feito para descongestioná-lo vez por outra. Mas não se exaltem, esse pacote vai durar um mês.

Por essas e outras, e por já ter dado por encerrada a minha não-ida à feira do livro, já ia eu na direção do meu ônibus, assoviando mentalmente algum antigo Schlager do STS, mas os discos usados me atraíram prum canto e acabei comprando aquele maravilhoso LP duplo A arte de Mercedes Sosa. As lembranças voaram até 1984, quando eu tinha esse disco – e, num dia não muito santo daquele ano, dei-o de presente pruma garotinha ruiva sem coração.

Se eu tivesse uma agulha boa na minha eletrola, eu teria colocado Mercedes Sosa assim que cheguei em casa. Gracias a la vida.

  1. Oi, Dok!

    Adoro os seus escritos!!!

    Preciso visitar e comentar com mais frequência os blogs amigos… Xero procê.


    Adriana Cardoso - Adry    22/11/07 11:33 AM    #
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