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encontro · Hannes Wader / Hannes Wader
postado em 18/01/07 - traduzido por Jodok

Hannes Wader

(Begegnung)

Todos os dias ela vinha na minha direção
E eu me acostumei com isso
Como a gente se acostuma às coisas
Que se ouve ou vê seguidamente

Eu mal percebi que houve alguns dias
Em que ela não apareceu
Depois, como sempre, ela passou por mim
E dessa vez eu prestei mais atenção

Ela me viu e enrubreceu um pouquinho
E eu, apesar de não ser tímido,
De repente não soube direito
o que fazer com as minhas mãos

Eu nunca me debrucei por diversão
Sobre os números e o cálculo
Mas bem que eu gostaria de contar
As sardas em seu nariz

Também reparei em sua boca e ansiava
por seu sorriso nos próximos dias
Decidi perguntar por isso e aquilo
Mas principalmente pelo seu nome

Aconteceu já no dia seguinte
Que achei um motivo pra conversar
Mas ela respondeu numa língua
Da qual não entendi nenhuma palavra

Compreendi apenas seu sorriso enquanto
Eu caminhava educadamente ao seu lado
E então eu pude ver os seus dentes
Branquíssimos e um pouco tortos

Seu nome eu li na plaquetinha da mala
Que eu carreguei para ela até a estação
Então fiquei sozinho, vendo como ela
Me acenava do trem que partia

Jeden Tag kam sie mir entgegen
Und ich gewöhnte mich daran
Wie man an das, was man oft hört und sieht
Sich eben gewöhnen kann

Ich nahm es kaum wahr, daß Tage kamen
An denen sie nicht erschien
Dann ging sie wie immer an mir vorüber
Und diesmal sah ich genauer hin

Sie sah mich und wurde ein klein wenig rot
Und ich, obwohl ich nicht schüchtern bin
Wußte plötzlich mit meinen Händen
Nicht mehr so recht wohin

Ich habe mich nie nur zum Vergnügen
Mit Zahlen und Ziffern herumgequält
Doch die Sommersprossen auf ihrer Nase
Die hätt’ ich gern gezählt

Ich sah auch ihren Mund und hoffte
Auf ihr Lächeln an kommenden Tagen
Ich nahm mir vor, sie nach diesem und jenem
Und nach ihrem Namen zu fragen

Es ergab sich schon am nächsten Tag
Daß ich einen Grund sie zu sprechen fand
Nur gab sie mir Antwort in einer Sprache
Von der ich kein Wort verstand

Verstanden habe ich ich nur ihr Lächeln
Als ich so ganz brav neben ihr lief
Und hinter dem Lächeln sah ich ihre Zähne
Schneeweiß und ein wenig schief

Ihren Namen las ich auf dem Schildchen am Koffer
Den ich für sie zum Bahnhof trug
Dann stand ich allein da, sah sie noch winken
Aus dem fahrenden Zug

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agora preciso partir · Hannes Wader / Hannes Wader
postado em 18/01/07 - traduzido por Jodok

Hannes Wader

(Nun muss ich gehn)


Agora preciso partir
Mas pesadamente e por muito tempo
Um ano e mais
Eu cuidei de nosso amor
Agora ele secou.
Secou rápido, como uma árvore
Plantada em terra ácida
E que não cresce mais
Para produzir frutos
E gerar sombra.
Até que por fim,
Depois de longa vida,
Fiel e silenciosa,
Envelhecida dignamente, não quer mais verdejar.

Agora preciso partir
Mas pesadamente e por muito tempo
Um ano e mais
Suportei minha decisão.
Agora minha resolução
Finalmente caiu,
Como uma rocha*
Impetuosa e muda
Está ali deitada
E dessa vez não a removo mais.
Mas lá onde está
Ela não quebrou nenhum talo sequer,
Apenas sufocou alguns sonhos irrealizáveis.

Agora preciso partir
Mas pesadamente e por muito tempo
Um ano e mais
Carreguei meu pranto
Agora estou leve
Mas minhas lágrimas carregaram,
Onde quer que eu estivesse,
O chão embora.
Ninguém ouviu meus gritos
Quando fiquei sem chão
Debaixo dos meus pés.
Agora quem me sustenta é minha resolução
Que, como tu sabes,
É uma rocha*, que nenhuma tempestade arredará.

(*)Findling = bloco errático

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olhar para trás · Hannes Wader / Hannes Wader
postado em 18/01/07 - traduzido por Jodok

Hannes Wader

(Blick zurück)

Por muito tempo vaguei por minha vida
Tateando com dificuldade, quase como um cego
E raramente percebi
Como as coisas realmente são.
Se hoje enxergo com mais clareza
Devo isso a ti em parte.
Como pode ser, então, que justo a ti
Só reconheço com dificuldade?

Muitas vezes nessa minha vida
Esfacelei brutalmente o que era delicado
Mas em geral eu machuquei a mim
Na mesma medida em que aos outros.
Contigo aprendi o que é sentir
E isso nem faz tanto tempo.
Eu gostaria de saber por que
É justo a ti que eu não sinto mais.

Muitas vezes nessa minha vida
Tropecei, cambaleei
Tive objetivos em demasia
Mas tão poucas vezes cheguei lá.
Pisar seguro, andar ereto
Eu só aprendi contigo
Por que foi que aconteceu
Que me afastei justamente de ti?

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